Crédito da imagem: (Foto Divulgação- Rafael Coutinho)

“A Natureza consubstancia o santuário em que a sabedoria de Deus se torna visível”

Ultimamente, temos visto muitos desastres naturais, catástrofes e para nós, brasileiros, quando chega o verão, estação em que as chuvas são mais abundantes, estes tristes acontecimentos envolvendo a natureza se intensificam. E por que tantas tempestades, tantas inundações, tantas catástrofes? Por que até tornados, furacões, fenômenos que antes não aconteciam em nosso país agora estão acontecendo? O que será que está havendo? O que a Doutrina Espírita nos ensina a respeito? Estes acontecimentos têm alguma relação com a Lei de Destruição, observada pelos espíritos, em O Livro dos Espíritos?... Reflitamos...



Causas...
A terceira parte de O Livro dos Espíritos, que fala das Leis Morais, em seu capítulo VI, ensina-nos sobre a Lei de Destruição, uma lei natural, necessária à própria renovação da natureza e conseqüentemente, da perpetuidade da vida, mas que nada tem a ver com a destruição decorrente das atividades e ações humanas, ou seja, provocada pelo homem e que tem degradado dia-a-dia o planeta Terra como a queima de combustíveis fósseis, como o petróleo, o gás, o carvão; o desmatamento; a queimada de matas e florestas; a emissão de gases poluentes, também conhecidos como gases de efeito estufa, que aceleram superlativamente o aquecimento global e que têm provocado, em todo o planeta, uma devastação sem precedentes na história, como o derretimento das calotas polares e conseqüentemente o aumento do nível dos oceanos e a sua acidificação; a desertificação de florestas; a perda gradativa da biodiversidade; os problemas na agricultura; o aumento de refugiados ambientais; as epidemias e, a continuar a elevar-se a temperatura média como prevêem os cientistas, a intensificação dos chamados desastres naturais, os mesmos que estamos assistindo e/ou vivendo, tanto aqui, no Brasil, como nos quatro cantos do planeta, inclusive ceifando muitas vidas humanas, principalmente aquelas mais expostas às regiões onde estes fenômenos são mais intensos.  

Fácil, compreender, então, que estes tristes acontecimentos são, fundamentalmente, frutos, não de uma lei natural de destruição, mas, conseqüência de atividades humanas irresponsáveis e inconseqüentes, desde a Revolução Industrial, quando a produção e o consumo (exagerados) passaram a alterar o clima do planeta. A esta “resposta” à intervenção desmedida do homem na natureza dá-se o nome de resiliência.  

Em Ecologia, resiliência é a capacidade de um determinado ecossistema de retomar sua forma original após uma perturbação. Pode também ser definida como o limite da resistência do ecossistema a uma mudança para que esta não se converta numa situação irreversível. Fácil concluir, portanto, que a destruição a que assistimos é de natureza humana, antrópica e não o produto natural da chamada Lei de Destruição. Esta verdadeira hecatombe ecológica que tem grassado muito próximo de nós é mais um sinal desta mudança climática, cujo autor é unicamente o homem.

(Des) construindo um planeta melhor...
Alguns irmãos espíritas, provavelmente, vejam com certa reserva e até com certa incredulidade, a necessidade de adotarmos atitudes ambientalmente responsáveis e sustentáveis para melhorarmos a catastrófica face do planeta, partindo daquela premissa de que a Terra está em transição de um mundo de expiações e provas para um mundo de regeneração, e que, portanto, estas atitudes são um tanto quanto redundantes.   Em um excelente livro, Espiritismo e Ecologia, o jornalista e especialista em meio ambiente, espírita, André Trigueiro, nos chama a atenção para uma mensagem de Santo Agostinho, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, em seu capítulo III, a despeito desta premissa determinista, de que transitamos para um mundo melhor: “(...) às vicissitudes de que não estão isentos senão os seres completamente desmaterializados; há ainda provas a suportar (...) nesses mundos, o homem ainda é falível, e o Espírito do mal não perdeu, ali, completamente o seu império.  

Não avançar é recuar, e se não está firme no caminho do bem, pode voltar a cair nos mundos de expiação, onde o esperam novas e terríveis provas“. O autor nos chama muito bem a atenção para que não aguardemos de braços cruzados este salto evolutivo, sem nenhum prejuízo futuro.

Precisamos, sim, dar o nosso contributo, vivendo como seres integrais as responsabilidades que nos cabem no uso dos recursos naturais (finitos!) e como co-autores do planeta, responsáveis pela sua sustentabilidade, que presentemente nos acolhe, e, quiçá, amanhã, quando pelas portas da reencarnação retornar para novas experiências, possamos (re) encontrar boas reservas de água doce, boa qualidade do ar, amplos espaços verdes preservados, enfim, providências que se não forem adotadas hoje, mudando, aqui e agora, nossa forma predatória de viver, seremos os legítimos e justos herdeiros de nossa própria imprevidência e indiferença...

No centro dos centros...

É óbvio que neste cenário de extrema preocupação, sem nenhuma retórica alarmista ou falaciosa, cabe-nos a todos uma mudança radical de valores frente à devastação planetária; sociedade civil, governos, empresas, igrejas, enfim, todos nós, e, neste particular também às casas espíritas um papel primordial de trazer o debate em seus círculos de palestras e estudos, a fim de que não descuidemos de um tema tão urgente e que muito nos diz respeito, para nos alfabetizarmos ambientalmente e incorporarmos e vivenciarmos, de fato, posturas ecologicamente corretas.  

Um grande exemplo, neste sentido, deu a Conferência Nacional dos Bispos Brasileiros, a CNBB, quando por dois anos distintos, em sua campanha anual de fraternidade, levou até seus fiéis os temas: água e Amazônia, com amplas discussões, propostas e diretrizes, discutidos em todo Brasil. Conforme assevera André Trigueiro em seu maravilhoso livro Espiritismo e Ecologia, são ciências afins, sinérgicas.

Se o Espiritismo, como já foi dito, é uma revolução, na melhor acepção desta palavra, o movimento espírita não pode e nem deve deixar de lado um tema tão capital quanto à sustentabilidade da vida neste planeta degradado.

Que em nossos ideários coloquemos, antes de nossas pretensões azuis celestes, prioritariamente, um planeta necessariamente mais verde esperança, agindo, aqui e agora, como cidadãos espíritas, cônscios da imensa responsabilidade que nos pesa com as informações que já dispomos! Ecologia quer dizer, literalmente, estudo da casa. Portanto, palestras, fóruns, seminários, estudos, Já!... Afinal, centro espírita é ou não é uma um espaço amplamente educativo? Saudações ecológicas!  

FONTE: http://espiritismoerazao.blogspot.com.br/2012/01/sinais-de-alerta-para-o-clima-desastres.html 

 

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