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Marta Antunes Moura 


As alterações climáticas observadas nos dias atuais indicam um significativo aumento da temperatura média global na superfície do Planeta. Estão relacionadas a duas causas que se somam: fenômenos naturais e atividades humanas, diretas ou indiretas. Estas últimas, iniciadas nos meados do século XVIII, com a Revolução Industrial - conjunto de mudanças tecnológicas com profundo reflexo no processo produtivo, econômico e social -, representam o principal fator de poluição ambiental, do passado e do presente.


As causas naturais fazem parte dos ajustes impostos pela Lei de Conservação1 que, segundo o Espiritismo, conduz a "uma transformação que tem por fim a renovação e a melhoria dos seres vivos". 2 Assim, os flagelos destruidores da Natureza visam um objetivo maior, pois "muitas vezes esses transtornos são necessários para que mais depressa se chegue a uma ordem melhor das coisas e para que se realize em alguns anos o que teria exigido muitos séculos".3

As ações humanas são as causas que mais contribuem para as mudanças climáticas e, de acordo com a comunidade científica mundial, refletem uma situação crítica, muito grave, projetada para um futuro próximo, no qual a Humanidade estará inserida em um "cenário de clima mais extremo, com secas, inundações e ondas de calor frequentes. A elevação na temperatura aumenta a capacidade do ar em reter vapor d'água e, consequentemente, há maior demanda hídrica". 4

Em resposta a essas alterações, a Natureza planetária poderá sofrer abalos severos que, de imediato, gerarão os seguintes efeitos: impacto na biodiversidade, vegetal, animal e microbiana, seguida de extinção de espécies; elevação do nível de água dos oceanos; ocorrência de furacões, inundações, estiagens prolongadas, desertificações, derretimento de geleiras e calotas polares; oscilações na temperatura, resultando muito frio ou muito calor.

No momento, já se detecta uma variabilidade acentuada do clima natural, definida como muito acima da média, e que se estende por períodos de tempo cada vez mais prolongados. Trata-se de uma condição que produz alterações na atmosfera do Planeta, ampliando o chamado "efeito estufa" pelo uso indiscriminado dos combustíveis fósseis e pelas contínuas emissões tóxicas das indústrias.

O efeito estufa é um mecanismo de retenção do calor no Planeta. Ocorre quando uma parte da irradiação infravermelha emitida pela superfície terrestre é absorvida por certos gases presentes na atmosfera. Até certo ponto o efeito estufa é benéfico, porque mantém o globo terráqueo aquecido e favorece a manutenção da vida. Contudo, a atividade industrial do mundo moderno libera maciça concentração de gases prejudiciais à vida, como CO2 (dióxido de carbono), CH4 (metano) e N2O (óxido nitroso). Os combustíveis fósseis são recursos não renováveis da Natureza, oriundos da decomposição de matérias orgânicas ao longo de milhões de anos. Os mais conhecidos são: gasolina, óleo diesel, gás natural e carvão mineral. São combustíveis utilizados para gerar energia e movimentar motores de máquinas, veículos, mas que, infelizmente, produzem altos índices de poluição atmosférica.

Para os pesquisadores brasileiros Saulo Rodrigues Filho e Andréa Souza Santos, respectivamente especialistas em Ciências Ambientais e em Desenvolvimento Sustentável, as mudanças climáticas caracterizam o grande desafio da nossa civilização. Entendem que "a velocidade e a intensidade com que essas mudanças estão ocorrendo desde o surgimento das indústrias é que têm preocupado os cientistas e líderes mundiais, principalmente nas duas últimas décadas". 5 Concluem, então:

Os problemas ambientais que nos afligem hoje são resultado do consumo excessivo dos recursos naturais, para atender o crescimento das populações, das cidades e das economias dos países ao redor do globo.

Nesse consumo predomina o mito da natureza infinita [...]. Trata-se de uma ideia errônea, que nos faz achar que os recursos que a Natureza nos oferece são infinitos e inesgotáveis, levando-nos a usar esses recursos de maneira irresponsável e inconsequente. 6

A situação se revela complexa porque algumas lideranças mundiais não admitem a possibilidade de diminuir a produção industrial e o consumo de combustíveis poluidores, fundamentando-se nos falsos valores da ambição desenfreada, do apego ao lucro e aos prazeres da vida material, visualizando o aqui e o agora. Tal comportamento demonstra que a destruição abusiva assinala o estado de ignorância, intelectual e moral, do ser humano.

Não devemos, todavia, perder a esperança, aconselham os Espíritos orientadores, pois o progresso acontece, cedo ou tarde.
A Humanidade progride. Esses homens, em quem o instinto do mal predomina e que se acham deslocados entre pessoas de bem, desaparecerão gradualmente, como o mau grão se separa do bom, depois que este é penetrado, só que para renascer sob outro envoltório. Como então terão mais experiência, compreenderão melhor o bem e o mal. [...]7

Neste sentido, detectamos a ocorrência de movimentos renovadores e sérios na maioria das nações. São organizações, governamentais e não governamentais mantidas pela união de cientistas, técnicos, professores, jornalistas e muitas outras pessoas esclarecidas, até mesmo o cidadão comum, que procuram disseminar esclarecimentos sobre o ambiente, a ecologia, o uso adequado dos recursos naturais etc. Trata-se de uma louvável iniciativa que procura reverter ou amenizar as perspectivas desalentadoras sobre o assunto em foco.

Há tratados políticos e sociais de grande efeito, voltados para o bem do Planeta e da Humanidade, sendo desenvolvidos em diferentes países, inclusive no Brasil. Entre tantos, destacamos apenas o Protocolo de Quioto (ou Kiotto). Este documento é um acordo mundial que foi assinado na cidade de Quioto, no Japão, em 1997. Em 2004, foi ratificado por 55% dos países mais poluidores do Mundo, os quais assumiram o compromisso de reduzir a emissão dos gases que agravam o efeito estufa, seguindo uma agenda previamente estabelecida.
Conscientes da gravidade do assunto, não podemos esquecer que cada um de nós, na categoria de cidadão da Comunidade Terra, tem o dever moral de fazer algo de bom e de útil pela nossa moradia planetária. Daí a advertência de Emmanuel:

A Terra, porém, nos pede cooperação no levantamento do bem de todos e a ordem não é deserção e sim adaptação. Em suma, estamos chamados à vivência no mundo, a fim de compreendermos e melhorarmos a vida em nós e em torno de nós, servindo ao mundo, sem deixarmos de ser nós mesmos, e buscando a frente, mas sem perder o passo de nossos contemporâneos, para que não venhamos a correr o risco de seguir para frente demais.8

Em outra oportunidade, o querido Benfeitor espiritual recorda, igualmente, a importância da união humana em benefício da sociedade:

Não há medida para o homem, fora da sociedade em que ele vive. Se é indubitável que somente o nosso trabalho coletivo pode engrandecer ou destruir o organismo social, só o organismo social pode tornar-nos individualmente grandes ou miseráveis. A comunidade julgar-nos-á sempre pela nossa atitude dentro dela, conduzindo-nos ao altar do reconhecimento, ao tribunal da justiça ou à sombra do esquecimento. 9

E, de forma lúcida, aponta o caminho a ser seguido por todos nós:

O Espiritismo, sob a luz do Cristianismo, vem ao mundo para acordar-nos. A Terra é o nosso temporário domicílio. A Humanidade é a nossa família real. Todos estamos determinados por Deus à gloriosa destinação.

Em razão disso, Jesus, o divino Emissário do Amor para todos os séculos, proclamou com realidade irretorquível: "Das ovelhas que o Pai me confiou nenhuma se perderá". 9
Referências:
1 KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra.
2. Ed. 1. Reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. Livro 3, cap. 5, q. 702 a 727.
2 ______. ______. Q. 728.
3 ______. ______. Q. 737.
4 ASSAD, Eduardo D.; PINTO, Hilton S.; JÚNIOR, Jurandir Z.; ÁVILA, Ana Maria H. Impacto das mudanças climáticas no zoneamento agroclimático do café no Brasil. In: Pesquisa agropecuária brasileira. Brasília. V. 39, n. 11, p. 1.057 a 1.064, nov. 2004. Disponível em: Acesso em: 19 dez. 2012.
5 FILHO, Saulo R.; SANTOS, Andréa, S. Um futuro incerto: mudanças climáticas e a vida no planeta. Rio de Janeiro: Garamond, 2011. Cap. 1, p. 9.
6 ______. ______. P. 10.
7 KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. Ed. 1. Reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. Q. 756.
8 XAVIER, Francisco C. Rumo certo. Pelo Espírito Emmanuel. 11. Ed. 2. Reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. Cap. 40, p. 153.
9 ______. Roteiro. Pelo Espírito Emmanuel. 14. Ed. 1. Imp. Brasília: FEB, 2012. Cap. 39, p. 163.

 

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