Por Edson G. Tristão

A genética espiritual atuando no corpo físico

As doenças de origem genética são aquelas possíveis de serem transmitidas de pais para filhos, mesmo que não se manifestem imediatamente. As anomalias genéticas podem ser de variáveis graus. 

A polidactilia, por exemplo, (que consiste em ter mais de cinco dedos), permite se viver uma vida normal. Outras podem cursar com um conjunto de alterações distribuídas no organismo, recebendo então o nome de síndrome, tendo como uma das representantes mais conhecidas, a Síndrome de Down. As causas são multifatoriais. Entre as principais estão: modificações do material genético (DNA), genes defeituosos transmitidos de pais para filhos, anomalias do processo reprodutor que levam a uma repartição desigual dos cromossomos, mutações genéticas, radiações e produtos químicos. Esse tipo de doença, normalmente, cursa com sinais e sintomas facilmente identificáveis, mas, às vezes, é preciso confirmá-las com estudos do cariótipo e do DNA.

 

As doenças hereditárias são um conjunto de doenças genéticas, cuja característica é a transmissão de geração em geração, podendo se manifestar em algum momento da vida. Exemplos são o diabetes, hipertensão, alergias, obesidade, hemofilias, entre outras. Elas não devem ser confundidas com as doenças congênitas, que são aquelas adquiridas ainda na vida intrauterina, ou logo após o nascimento, podendo ter como causas os transtornos do desenvolvimento embrionário. Observa-se que toda doença hereditária é congênita, podendo não se manifestar no nascimento. No entanto, nem toda doença congênita é hereditária.

Esse grupo de doenças não tem uma única causa responsável, sendo atribuída uma variedade de fatores que concorrem para a sua gênese, entre os principais a interação entre fatores genéticos, ambientais, dietas, infecciosos, químicos e tóxicos. Os avanços científicos têm contribuído para identificar genes deletérios como na fibrose cística, anemia falciforme e algumas formas de câncer, acreditando-se que 5% deles estão ligados à hereditariedade. As malformações congênitas causadas por infecções durante a gravidez, são algumas das afecções bem estudadas, podendo prever-se, inclusive, o tipo de problema mais prevalente de ocorrer no feto, dependendo do período gestacional em que a gestante foi acometida pelo processo infeccioso. Sífilis, rubéola e citomegalovírus, por exemplo, são doenças causadoras de graves lesões orgânicas no período gestacional e nos primeiros anos de vida, sendo necessária vigilância durante a gravidez. Existe também uma fonte causadora de distúrbios psíquicos e neurológicos ao recém-nascido que é a dependência química, presente na vida de muitas gestantes. Sabe-se que as drogas têm grande potencial para desenvolver lesões graves no feto, além de ser um fator que contribui para as interrupções dos tratamentos, principalmente da sífilis e do HIV, funcionando como uma causa indireta no favorecimento da transmissão de infecções fetais, favorecendo o risco de lesões congênitas.

A prevenção e o tratamento das doenças congênitas, hereditárias e genéticas não são tarefas simples. Tornam-se mais difíceis depois que a doença se manifesta no ser em formação. Aconselhável, portanto, a prevenção mediante o aconselhamento ou diagnóstico pré-concepcional. Nessa fase, toda mulher em idade fértil deveria fazer uma avaliação médica, a fim de identificar a possibilidade da ocorrência de doenças genéticas na gravidez e a forma de prevenção. Esse tipo de cuidado baseia–se no estudo da distribuição da doença na família e o cálculo das probabilidades do seu aparecimento nas gerações subsequentes. Nessas ações de saúde, também seria o momento de avaliar as portadoras de doenças crônicas, como obesidade, diabetes, hipertensão.

A futura gestante poderia receber orientações médicas assim como mudanças de hábitos de vida, evitando, por exemplo, bebidas alcoólicas, tabagismo e drogas. Embora essa recomendação seja universal, não é seguida pela maioria das futuras mães. A maior parte delas não percebe a gravidade dessas ocorrências e mesmo das doenças crônicas de que são portadoras, que se agravarão durante a gravidez, com todas as repercussões deletérias para a criança em desenvolvimento, em seu útero.

Poucas mulheres buscam esse primeiro nível de prevenção, chegando, então, ao pré-natal, que é a segunda etapa possível de avaliação, em estado avançado de gravidez, quando muitas ocorrências podem ter acontecido. Outro fator agravante é que mais de 60% delas não queriam engravidar naquele momento, como mostram algumas estatísticas do pré-natal do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná – UFPR. A gravidez inesperada gera em muitas delas reações ambíguas, dentre as quais a rejeição ao filho. Esse fato favorece a falta de visita ao médico ou a interrupção dos medicamentos que tomavam para suas doenças crônicas, concorrendo para o aumento do risco fetal. Perde-se, com esse comportamento, precioso tempo para detectar precocemente os agravos da saúde e as repercussões fetais, contribuindo para doenças do ciclo grávido puerperal, podendo levar aos óbitos materno e fetal.

As consultas de pré-natal são eficientes quando as gestantes participam ativamente das avaliações rotineiras, principalmente, em relação às doenças infecciosas, que necessitam ser descartadas nas primeiras semanas da gravidez. Nesse período, quando é diagnosticado o acometimento do feto por alguma infecção, seria o momento de atuar rapidamente na terapia para evitar o agravamento do problema e as repercussões orgânicas de maior gravidade. No caso de se encontrar malformações, que precisam receber cuidados especializados ou até mesmo cirúrgicos após o nascimento, essas gestantes devem ser encaminhadas aos Serviços de Gestação de Alto Risco, muitos deles ligados aos hospitais terciários, em condições de melhor atendê-las.

A prevenção para muitas dessas doenças, que seria o ideal, tem pela frente uma barreira que impede os avanços médicos, que é o baixo índice de identificação das suas causas. Os diferentes estudos apontam que 43,2% a 72% das ocorrências não têm uma causa determinada. Esse fato dificulta a prevenção e abre uma discussão ampla sobre outras possíveis causas, concorrendo ainda para que muitos médicos e familiares acenem para a opção do aborto como solução, nas ocasiões em que se detecta malformação fetal.

O pouco conhecimento sobre as causas dessas doenças abre espaço para várias teorias, algumas delas com boas investigações, que demonstram sua validade. O Dr. Décio Iandoli, em seu livro A reencarnação como lei biológica1, comenta as pesquisas do cientista canadense Ian Stevenson, um dos maiores investigadores mundiais sobre a reencarnação.

No terceiro capítulo do livro Where reincarnation and biology intersect2, Dr. Stevenson examina a possibilidade de muitas alterações orgânicas serem geradas no feto, pela ação da imagem mental de outras pessoas, no caso a mãe, durante a gravidez. Ele defende a ideia de que traumas ou medos sofridos pela gestante poderiam ter ações na fisiologia e anatomia do embrião em desenvolvimento.

Levantamentos científicos realizados por ele, resultaram em trezentos casos descritos em periódicos de renome, dos Estados Unidos, Grã Bretanha, França, Itália, Holanda e Bélgica, dos quais ele selecionou cinquenta, em que a correspondência entre o estímulo sofrido pela gestante e a malformação fetal eram muito próximas e incomuns. Destacou dois casos ocorridos como exemplo.

Uma senhora, durante a gravidez, acompanhou a doença de seu irmão, que teve de amputar o pênis devido a um câncer, e que viu o resultado da cirurgia, por curiosidade, provocando-lhe forte impressão. Seu bebê nasceu com uma agenesia de pênis (afalia), um tipo de malformação cuja incidência é de 1:30 milhões de nascimentos, ou seja, um evento extremamente raro.

Descreve também a história de outra gestante que ficou fortemente impressionada com a visão de um homem com um dos pés parcialmente amputado. Ela passou a achar que seu futuro filho nasceria com o mesmo defeito, o que realmente ocorreu, sendo que a malformação correspondia às mesmas características do homem amputado quanto à extensão e ao pé afetado.

As dúvidas sobre esse tipo de etiologia são muitas. Poderiam essas gestantes terem produzido pelo estímulo psíquico, algum tipo de substância hormonal que atravessou a barreira placentária e lesou o feto? O Dr. Décio conclui sua análise dizendo que essas possibilidades, não aceitas pela ciência, que prefere nominá-las de frutos do acaso, muitas vezes podem ser inimigas dos bons cientistas. É uma resposta fácil, porém vazia, a fenômenos que eles não conseguem explicar.

A reencarnação, ensinada com profundidade nos livros espíritas, é também uma outra corrente que pode explicar boa parte desses tipos de malformação fetal. O períspirito, descrito pelos Espíritos superiores a Kardec em O livro dos Espíritos aponta a importância dessa estrutura para o futuro corpo físico. Trata-se de um envoltório semimaterial, que continuará existindo após a morte. Ele possui órgãos e todos os outros componentes formadores do corpo material, com o qual se liga célula a célula. Essas formações energéticas acabam se constituindo nas matrizes do novo corpo em cada renascimento. Sofrem as ações da mente, registrando todas as atividades dessa. Os desequilíbrios psíquicos, causados pela instabilidade dos sentimentos e emoções do Espírito em evolução, secretam energias alteradas. Elas vão sendo absorvidos por essa estrutura energética, formando-se verdadeiras manchas e placas que aderem à sua superfície. Em seguida, passa a comprometer o seu funcionamento e à medida que o processo se agrava, essa ação energética fragiliza a estrutura sensível, predispondo essas matrizes ao desenvolvimento de vários tipos de doenças durante a nova existência do ser.

Outras vezes, esse Modelo Organizador Biológico, como dizia o pesquisador brasileiro Ernani Guimarães Andrade, também pode vir alterado pelos problemas cometidos em outras existências. Assim como a caixa preta das aeronaves registra todos os detalhes de cada viagem, essa estrutura também o faz com as nossas existências, trazendo em sua constituição, pontos fracos, pré-disposições ou malformações que poderão estar presentes no novo corpo físico em forma de doenças genéticas, congênitas ou hereditárias. É, portanto, o Espírito imortal que imprime nas células do corpo físico o código genético de que necessita, de acordo com as escolhas que tenha feito em seu planejamento reencarnatório.

No livro Missionários da luz4, o Espírito André Luiz aborda como a genética se relaciona com a reencarnação. Descreve os mapas cromossômicos, nos quais a geografia dos genes é examinada pelos orientadores do processo de renascimento. A modelagem e o desenvolvimento do embrião é examinada, obedecendo-se às leis físicas naturais, os automatismos estabelecidos pela evolução de cada espécie. Mas, em todos esses fenômenos, a participação espiritual coexistindo com essas leis, de acordo com os planos de evolução ou resgate daquele que vai renascer. Ocorre, dessa forma, a edificação da genética espiritual de cada um, pelas experiências das inúmeras vivências terrenas. A família também tem ligação direta e responsabilidade com os filhos que nascem portadores de doença grave. Os genitores são buscados na Espiritualidade, por terem vínculos ou compromissos com o candidato ao renascimento. Outras vezes, suas decisões são por impulso de caridade, aceitando o compromisso como missão. Além do patrimônio genético, que deve ser compatível com esses fins, nesses casos, reveste-se de importância o patrimônio espiritual, desde que estarão responsáveis pela educação do ser que virá.

O renascimento é um trabalho complexo, desenvolvido por uma grande equipe de coordenadores, entendendo-se, dessa forma, que as doenças genéticas ou hereditárias não acontecerão por acaso, mas sim devido a um fim maior, que é a evolução do Espírito imortal.

O Espírito Emmanuel5 expressa a seguinte opinião: As leis da genética encontram-se presididas por numerosos agentes psíquicos que a ciência da Terra está longe de formular, dentro dos seus postulados materialistas. Esses agentes psíquicos, muitas vezes, são movimentados pelos mensageiros do plano espiritual, encarregados dessa ou daquela missão junto às correntes da profunda fonte da vida.(…)

Apesar do grande desenvolvimento científico alcançado pela medicina, não existe ainda um lugar para o Espírito, na ciência acadêmica, que continua tomando a causa como efeito, pois não tem esse olhar transcendental sobre o ser humano. Ao analisar essas malformações exclusivamente pelas leis da hereditariedade e também pelo acaso, chegam a uma explicação parcial de tais ocorrências, aumentando o sofrimento do doente e da família. A evolução de cada ser humano, criado por Deus, não pode ficar à mercê das combinações casuais da bioquímica da matéria. No dizer do famoso cientista Albert Einstein: Deus não joga dados com o universo.

Atualmente, um campo da biologia tem se destacado no aprofundamento desse tipo de pesquisa, a epigenética. Destina-se ao estudo e avaliação da relação dos genes e seus produtos, abrindo novas discussões científicas sobre as doenças genéticas e hereditárias. Muitos seres podem nascer com várias predisposições para os mais variados tipos de doenças, mas teriam dentro de cada um, a senha, como do computador, que só pode ser disparada pelas ações do livre-arbítrio de cada pessoa, através de suas relações com o meio ambiente, hábitos culturais e com suas emoções.

Cientistas respeitados no mundo inteiro, pela qualidade de suas publicações, como Bruce Lipton – A biologia da crença6 -; Kazuo Murakami – Código Divino da vida7; Evelyn Fox Keller – The century of the gene8 são alguns pioneiros dessa nova corrente que indaga: Quem está por trás do gene, mandando ordens para suas mutações ou construção de determinada estrutura pelas proteínas se eles são constituídos apenas de matéria? Será que a consciência não seria extrafísica?

A ciência, esse grande pilar respeitado pela doutrina espírita, nunca esteve tão próxima de reconhecer a existência do Espírito imortal e a sua genética própria, formatada através das vidas sucessivas, como fator preponderante na gênese de muitas doenças graves. Esse conhecimento, assim que for incorporado aos estudos acadêmicos, poderá contribuir para um salto evolutivo no conhecimento do ser humano em sua amplitude holística, desenvolvendo a prática de condutas éticas em relação aos seres humanos, suas doenças e seus sofrimentos. A mudança de paradigma, no entanto, está atrelada a vários fatores como o egoísmo do conhecimento, as formas de relações comerciais e o tipo de convivência entre os povos.

Precisamos do tempo e da coragem para amadurecermos, tomarmos decisões e realizarmos a caminhada pelas novas estradas que se abrem. Parece que os tempos já chegaram.

Bibliografia:

1- IANDOLI JR., Décio. A reencarnação como lei biológica. São Paulo: FE, 2004.

2- STEVENSON, Ian. Where reincarnation and biology intersect. Praeger Publishers In, Westport, United States, 1997.

3- KARDEC, Allan. O livro dos Espíritos. 72. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1992. itens 93 a 95.

4- XAVIER, Francisco Cândido. Missionários da luz. Pelo Espírito André Luiz. 20. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1987. cap. 12 e 13.

5- ________. O consolador. Pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro: FEB, 1941. pt. 1, item 35.

6- LIPTON, Bruce H. A biologia da crença. São Paulo: BUTTERFLY, 2007.

7- MURAKAMI. Kazuo. Código divino da vida. São Paulo: Barany, 2008.

8- KELLER, Evelyn Fox. The century of the gene. Harvard University Press, 2002.

FONTE: MUNDO ESPÍRITA 

 

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