Fonte : Correio espírita - Por: Melissa Santos

A história que vou contar agora serve de lição para muitos. O entrevistado pediu para não ser identificado, então usarei um nome fictício, irei chamá-lo de Jorge. A entrevista aconteceu em uma escola, na Zona Norte. Hoje, com 30 anos, ele relembrou os tempos tristes em que usou e traficou entorpecentes: “Só não usei cocaína e drogas injetáveis. As outras todas eu usei: maconha, loló, lança perfume, LSD, ecstasy... Você fica num estado de confusão mental tão grande que precisa se entorpecer de alguma forma”, contou ele.

 

Jorge viveu com a mãe e o irmão mais velho durante 20 anos no Complexo do Alemão, um dos maiores conjuntos de favelas da cidade. Desde bebê, frequenta uma Casa Espírita no próprio Complexo. O rapaz nunca deixou de ir ao centro, até mesmo quando no vício: “Eu sempre me sentava na cadeira ao lado da porta. Eu me sentia bem lá, mas não me achava digno de estar ali. Muitas vezes eu fui entorpecido para a evangelização”, lembrou. Jorge contava com o carinho dos evangelizadores, que sempre faziam a inscrição dele na COMEERJ (Confraternização de Mocidades Espíritas do Estado Rio de Janeiro), evento que acontece durante o carnaval: “mesmo quando eu dizia que não ia participar, eles me inscreviam. Insistiram por três anos!”, contou admirado.

O que o motivou a buscar as drogas? Violência doméstica. Na infância, levou surras do padrasto e viu no crime a chance de não apanhar mais: “percebi que ele tinha muito medo dos traficantes”, relembrou o jovem, que começou na maconha aos 13 anos: “hoje sei que foi uma escolha infeliz”, desabafou.

O prazer momentâneo, o dinheiro fácil e a sensação de poder das drogas fizeram com que Jorge se envolvesse mais ainda com o mundo do crime. Aos 17 anos, se uniu a um colega para fabricar “loló” dentro de casa e fornecer para as bocas de fumo. Jorge acompanhou a morte de muitos que, como ele, se envolveram na criminalidade.

Ele queria sair do vício, mas não conseguia. Expulsou o padrasto da comunidade, que nunca mais apareceu por medo. E no auge de uma das crises provocadas pelas drogas, chegou a colocar fogo em casa: “Numa das vezes que eu estava doidão, simplesmente peguei o álcool, joguei no sofá e ateei fogo. Totalmente inconsequente!”

O rapaz tinha chegado ao fundo do poço! Na Casa Espírita buscou atendimento fraterno para o problema pela primeira vez. Até que numa sexta-feira de carnaval, então com 19 anos, em meio a uma festa com muitas drogas, teve uma experiência inesquecível: “eu simplesmente estava lá, doidão, quando de repente abriu o meu campo espiritual. Vi muitos encarnados sendo vampirizados pelos desencarnados. Aquela cena vista com tanta clareza me deu um choque! Ao mesmo tempo uma voz me disse: ‘você tem outra opção’. Na hora lembrei a inscrição na COMEERJ e fui pra lá”, lembrou emocionado. Foram quatro dias de vivência Cristã, fundamentais para ele sair do mundo das drogas.

Hoje, Jorge trabalha dignamente, faz faculdade de direito, é atuante no meio espírita e, principalmente, ajuda outros jovens na mesma situação. Ele revelou que ainda há muitos espíritas envolvidos com drogas e para eles deu um recado: “perceba aquela pessoa que possa confiar, alguém que possa interagir com você para que não fique sozinho vivendo essa realidade”. Jorge começou assim e hoje comemora: “já estou limpo há 11 anos!”, disse ele com um sorriso de felicidade.

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Drogas e obsessão

O Presidente do Hospital Psiquiátrico Pedro de Alcântara, Dr. Paulo Hobaica, que atende no Rio Comprido, zona norte do Rio de Janeiro, com 70 internas com transtornos mentais, percebe o aumento do número de pacientes ligadas às drogas. E entre os vários motivos que podem levar uma pessoa a usar entorpecentes, ele lembrou também dos fatores espirituais. Como o Hospital é mantido pela Associação Espírita Obreiros do Bem, tratamentos médico e espiritual são feitos simultaneamente: “existe sempre, em todos os casos, aqueles irmãos equivocados que acompanham estas pessoas. Alguns obsidiam já de longa data, companheiros que muitas vezes seguem juntos, ora como obsessores, ora como obsediados”.

Essa constatação pode ser lida também em muitos livros. Vício e obsessão espiritual andam quase de mãos dadas. Mas isso não tira a responsabilidade do indivíduo pelo ato praticado, já que todos sabem dos problemas que as drogas trazem para a vida.

Joanna de Angelis, em Após a Tempestade, por Divaldo Franco, aconselha aos pais de usuários de drogas: “não fujas dele, procurando ignorá-lo em conivência de ingenuidade, nem te rebeles, assumindo atitude hostil. Conversa, esclarece, orienta e assiste (...) para a tua e a ventura dele”. E vale lembrar também conselho de Santo Agostinho, na lição 919 de O Livro dos Espíritos: “qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal? Um sábio da antiguidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo”.

Dr. Paulo Hobaica lembrou também que a problemática das drogas não se restringe só as ilícitas, mas também aquelas de consumo legalizado, como o álcool e os remédios controlados, usados indevidamente: “quantas pessoas hoje só dormem se tiverem sobre o efeito de determinados medicamentos? Isso não é uma condição normal. Essas pessoas tem que buscar ajuda!”. Medicina e espiritualidade, ciência e fé, para tratar do corpo e do espírito.

 

 

 


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