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Eu sou Wesley Marlon Eto Willi e gostaria da compartilhar um pouco da minha experiência de vida!

Tudo começou quando me tiraram da minha mãe... Desse dia em diante eu sabia que minha vida não seria a mesma, pois eu sabia que iria viver em um lugar estranho sem ela.

Quando caiu a ficha da minha irmã mais velha, que nós nunca mais iríamos ter a mesma vida que tínhamos com nossa mãe, ela jurou que não iria deixar nada de ruim acontecer com a gente, que nunca iríamos nos separar!

Durante quatro anos eu acreditei nisso, até que minha irmã mais nova foi adotada.

Desse momento em diante eu percebi que nunca iríamos viver juntos como uma família pois um dia iríamos no separar. Mas sabíamos que sempre seriamos irmãos, independentemente do que acontecesse com a gente.

Mas conforme eu via crianças entrando e saindo do abrigo, e nunca era a minha vez, percebi que eu teria poucas chances de sair de lá, porque eu era uma criança com onze anos, negra e com um passado e que poderia ter defeitos e traumas vividos na infância.

 

Certo dia eu e um amigo resolvemos pedir uma família para a psicóloga que nos assistia no abrigo. Passou um tempo e a psicóloga me chamou para conversar.

Eu estranhei e fiquei me perguntando o que ela queria falar comigo.

Ela começou a me fazer uma pergunta que na ocasião eu achei estranha, do tipo:
Você aceitaria viver com um casal de homossexuais?
Coisas assim, mais eu dizia que não porque eu via homossexuais como bichas locas e porque eu era preconceituoso e inseguro do que sentia.

Mais eu resolvi deixar tudo o que eu achava de lado e encarar a vida de peito aberto.

Uma semana depois marcaram pra mim conhecer o casal que estava interessado em mim.

Quando chegou o dia de eu finalmente conhecê-los eu fiquei com muito medo, pois era uma situação que eu nunca tinha vivido e totalmente nova pra mim. Mais lá fui eu e quando abri a porta da sala onde estavam os dois sentados me esperando, na hora vi um cara alto sentado e outro japonês baixinho, mais os dois estavam com um sorriso estampado no rosto.

Então eles logo se apresentaram. O primeiro a se apresentar foi o Claus e logo em seguida foi o Hélio.

Começamos a conversar sobre o que eu gostava de fazer e coisas desse tipo.

O tempo foi passando e eu fui ficando mais a vontade, mais espontâneo e mais tranqüilo.
No final da visita me perguntaram se eu gostaria de vê-los novamente eu parei e pensei ...
Essa pode ser uma chance que tenho de ter uma vida melhor e de ter uma família se eles gostarem de mim.

A psicóloga me perguntou de novo se eu gostaria de vê-los novamente!
Eu disse que sim!!!

As visitas foram se passando até que a psicóloga resolveu marcar pra mim sair do abrigo e dar uma volta com eles no shopping!

Eu topei. O tempo foi passando e me chamaram para conversar novamente!

A psicóloga e a assistente social queriam sabe o que eu estava achando do Hélio e do Claus,
Eu disse que estava sendo uma coisa diferente e interessante. A pergunta seguinte foi a mais estranha.
Elas me perguntaram o que eu achava de passar um final de semana com eles. Eu achei muito estranho mais ao mesmo tempo legal e topei.

O primeiro dia eu estranhei muito, e ficava com muito medo do que eles iriam achar de mim.

Mas conforme o tempo ia passando eu ficava mais a vontade, mas depois de um tempo eu me sentia em casa.

O tempo passou, eu comecei a passar semanas com eles. No começo eu achava tudo muito estranho porque eles tinham uma rotina diferente. Mais eu me acostumei e me integrei na rotina e na vida dos dois.

O tempo passou e a juíza resolveu dar a minha guarda para eles.

Quando eles receberam essa notícia eles ficaram muito felizes e eu vendo a felicidade deles percebi que eu também estava feliz, pois eu não era aquele menino machista e preconceituoso de antes, eu estava aprendendo a dar valor nas pessoa a minha volta e aprendendo o que é amar.

Conforme o tempo passa as coisas vão mudando. Atitudes diferentes vão surgindo e eu fui me envolvendo emocionalmente com eles. E percebi que eles não eram aquelas bichas que eu que imaginava antes. Percebi que eles eram pessoas que se amam e estavam querendo ter um filho para compartilhar esse amor.

Hoje eu já estou com 15 anos e posso dizer que eu AMO os dois com todas as letras!!! Eles são pessoas incríveis.

Eles não são corajosos por adotar uma criança mais velha!!! Eles tem é muito AMOR, CARINHO e ATENÇÃO para dar ao próximo e para dar a uma criança mais velha também!!!

E eu gostaria de dizer a você que está lendo, que não seja preconceituoso, dê uma chance a uma criança mais velha!!! Ela também tem sentimentos!!! Ela também ama e ela quer ter uma família que a ame!!!

Pense bem nisso! Não é porque a criança mais velha tem um passado que ela vai ser problemática! Filhos biológicos também podem ser...

PENSE BEM.

P.S: Estou ajudando a receber meu novo irmão que chegou há 04 meses!!! Ele tem treze anos e estamos felizes!!!

Por: Wesley Marlon Eto Willi

FONTE: http://www.gaaaifilhosdocoracao.blogspot.com.br/2014/11/a-vida-ensina.html

 

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