Um anjo em minha vida!

Em 2011, tudo o que eu queria era engravidar, ser mãe.

Apesar de ter 20 anos, casada há um ano, queria muito ter um filho.

Quando eu e meu marido resolvemos que queríamos ter um filho, simplesmente deixei acontecer, mas não tomei nenhuma vitamina, e as cartelas da pílula anticoncepcional era uma bagunça.

Finalmente descobri que estava grávida, e este foi o momento mais feliz da minha vida.

Aos 12 semanas de gestação, fiz meu primeiro ultrasson, tendo a companhia de meu marido e de minha mãe. Foi quando descobri que meu bebê tinha uma má formação no cérebro.

Na ocasião, seguimos urgentemente para o consultório de meu ginecologista, desta feita, acompanhada também por meu pai.

Meu médico, com todo carinho me disse que eu precisava ser forte e fazer uma escolha, pois meu bebê não sobreviveria muito tempo, e que eu teria legalmente o direito de fazer o aborto, se assim o desejasse.


Entrei em choque ao descobrir que meu amado bebê tinha anencefalia, ou seja, ausência de cérebro ou parte dele.

Foram momentos angustiantes e de muita dor, e quando consegui forças, disse ao meu médico que iria seguir em frente com a gravidez.

Ao ouvir isso, ele me disse que faríamos tudo o que estivesse ao alcance da medicina para que minha gravidez evoluísse com segurança.

Não pensem que todos os médicos por qual passei, foram gentis e carinhosos como meu médico. A maioria deles eram desanimadores, sempre deixando claro que a melhor opção seria o aborto.

Precisei fazer novos exames e após vários exames intra-vaginal, meu bebê foi diagnosticado com Acrânia – ausência da calota craniana, e com a conclusão de que era incompatível com a vida.

Quando soube o sexo do bebê, dei-lhe o nome de Miguel, pois este é o nome de um anjo.

E assim, segui com minha gestação, sempre fazendo novos exames e amando cada vez mais meu pequeno guerreiro.

Após alguns exames, soube que minha placenta era baixa e que isso poderia causar um aborto espontâneo e por conta disso, meu ginecologista me orientou a ter repouso completo.

O tempo foi passando e graças ao bom Deus, minha placenta começou a subir, o que permitiu uma proteção maior para meu bebê.

Fiz o que toda gestante faz, comprei roupinhas, arrumei o quartinho de azul, comprei móveis. Ganhei de amigos: berço, carrinho, banheirinha. Fiz também chá de bebê, que não podia faltar com muitos amigos e familiares, todos felizes pela vida do guerreiro. Foram 9 meses de muita felicidade.

Miguel, meu pequeno guerreiro era um bebê normal, mexia constantemente e me acordava todas as noites para me lembrar que estava aqui comigo. Fiz também o exame de genética, para saber o porquê da anomalia, e felizmente o resultado foi cromossomo normal (X, Y), ou seja, foi apenas um erro na hora da divisão das células.

Ele ainda não tinha nascido, mas já tinha superado muitos limites de sobrevivência.

Ele tinha todos os recursos da medicina a sua disposição e o que é principal, o amor dos pais, que o amam incondicionalmente.

O pai de Miguel, meu grande amor e companheiro, foi meu grande apoio e me confortava nos momentos que perdia minhas forças.

Ele sempre teve um grande amor por Miguel e o via como um bebê normal, sem nenhum problema. Pois era assim que ele era!

E assim segui a espera do grande dia que iria me trazer meu pequeno guerreiro.

Finalmente o grande dia chegou, dia 14 de Novembro de 2011.

Às 7 horas eu já estava no hospital dando muito trabalho às enfermeiras.

A cesariana foi tranqüila, mas enfrentei tudo muito nervosa.

Após a cirurgia, a primeira coisa que vi ao acordar foi Miguel, ao meu lado, acompanhado das enfermeiras e da pediatra.

Foi um momento inesquecível, quando pude beijar e demonstrar todo meu amor por meu filho.

Miguel nasceu às 9 hs 42 min., pesando 2.090 gr, com 42 cm, um gordinho lindo!

Foi direto para a UTI Neonatal, mas não precisou de nenhum aparelho, respirava por conta própria.

Miguel foi diagnosticado com anencefalia total, ou seja, sem muita chance de vida.

Estive com Miguel por 13 horas e foram os momentos mais felizes de minha vida.

Pedi tanto a Deus que me deixasse pegar Miguel nos braços antes de ele partir e Deus me concedeu esta benção.

Tive a oportunidade, ao lado de meu marido Fábio, de estar com Miguel, demonstrando todo nosso amor, e felizes, por nosso bebê ter nos esperado.

Sim... Ele apenas esperou os pais, para juntos se despedirem.

Miguel faleceu às 22h15min, calmo, sereno e feliz. Inexplicável contar os diversos sentimentos.

Graças a Miguel, conheci famílias maravilhosas, que passaram pela mesma experiência que eu.

Alguns ainda têm a felicidade de ter seus bebês ao seu lado. Outros como eu, já se despediram deles.

A medicina declara legal o aborto para estes casos, alegando que um anencéfalo não tem cérebro ou ausência parcial dele, e que não sobrevive muito tempo.

Eu como mãe, digo que os poucos momentos que passei ao lado de meu filho, foram os melhores de minha vida.

Eu o amei de todo o coração e apesar de ser um bebê anencéfalo, Deus permitiu que ele nascesse, respirasse, que seu coraçãozinho batesse nem que fosse por pouco tempo.

Ele tinha o direito a vida, e viveu o tempo que Deus permitiu.

Estou tranqüila e em paz, por ter dado a meu filho, a oportunidade de lutar pela vida e assim fez Miguel, meu pequeno guerreiro. Lutou bravamente e partiu, deixando seus pais orgulhosos pela sua luta pela sobrevivência.

Tenho certeza que ele está sendo bem amparado por seus anjos guardiões e que um dia terei a oportunidade de abraçá-lo novamente.

O anencéfalo é uma pessoa vivente e a provável reduzida expectativa de vida não limita

os seus direitos e a sua dignidade.

Para conhecerem mais sobre Miguel, meu pequeno guerreiro, acessem http://www.miguelpequenolutador.blogspot.com/

Por: Rita Ramos Cordeiro

Fonte: Camila Rovani Cavedem

 

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