Por: Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo - Imagem: Pixabay: Darkmoon_Art

Não cultives pessimismo. Centraliza-te no bem a fazer. Esquece as sugestões do medo destrutivo.

O medo é um dos quatro gigantes da alma, que se complementam com a ira, o amor e o dever. O que se contrapõe ao medo é a coragem, e ela precisa ser comedida. Somente superando o medo conseguiremos viver em paz.

Quando jovem, eu frequentava a Igreja Católica de São Benedito, em Capivari, e cheguei até a cantar no coro. Conheci o espiritismo e encontrei a luz em minha vida, a confiança no Poder de Deus cresceu, o entendimento das desigualdades sociais e da Justiça Divina, através das reencarnações, abriu um leque de conhecimentos e explicações que eu nunca vira antes.

Todos os meus medos foram substituídos pela fé, e passei a confiar que a vida vai nos devolver tudo aquilo que lhe damos, asserenando-me em relação ao futuro. As Leis de Deus e o Universo sempre vão conspirar a meu favor se eu viver e praticar o bem.

Temos por base que o medo é uma forma de emoção humana que nos alerta para o perigo; nesses momentos ele é muito importante e nos ajuda, é essencial para a sobrevivência. É aquela famosa situação de luta ou fuga.

O sargento Aurélio, um militar da Marinha, com 51 anos, tinha uma larga experiência na profissão, possuía uma arma registrada que o acompanhava todos os dias. Em um 02 de fevereiro, depois de um dia de atividade, voltando para casa à noite, não se adiantou e nem se atrasou – teve de súbito um ataque de pânico: estava no carro, e viu que alguém também adentrava o estacionamento do seu condomínio.

Aurélio Alves Bezerra é maranhense, mas morava no Rio de Janeiro, e deixou-se dominar pelo medo de que poderia ser assaltado, e sua parceira, a ira: atirou três vezes, matando o vizinho, na porta do prédio onde os dois moravam no bairro Colubandê, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio.

A vítima, Durval Teófilo Filho, era um marido e pai amoroso, que, temeroso, deixou a comunidade do Capote, em São Gonçalo, e foi morar num prédio para fugir da violência, havia 12 anos, adquirindo esse apartamento na cidade em busca de mais segurança.

Durval estava empregado como repositor de um supermercado. Sua esposa, Luziane Teófilo, disse que escutou os tiros. Ela afirma ainda “que o marido morreu porque era preto”.

“A minha filha, que tem 6 anos, estava esperando por ele. Imediatamente ela olhou pela janela e disse que era o pai dela”, narrou.

Um dia, uma hora, um minuto, um medo e muitos anos e, às vezes, séculos de sofrimento e reparação nesse quebra-cabeça da vida. Ninguém morre, só retorna antes do esperado para a vida espiritual. Haverá reencontro entre os que se amam e aqueles que se temem, para que se cumpra o gigante do amor e do dever de reparação.


A vida de Chico Xavier