Por: Vania Mugnato de Vasconcelos

Não somos vítimas inocentes, nem algozes eternos. Somente se compreenderá essa assertiva aceitando o fato da multiplicidade de existências, das várias reencarnações.

Experimentamos as oportunidades educativas que a vida oferece, atuando nelas e provando se mudamos, se não somos mais quem fomos outrora, se amadurecemos, provando, enfim, que transmutamos nossos vícios e imperfeições morais em virtudes da alma.

Não somos vítimas inocentes. Passamos pelas experiências para aprender com elas o que não sabíamos antes, compreender a razão pelas quais tropeçamos; para sentir o mal que em outros tempos causamos por causa de nosso egoísmo e orgulho e que não entendíamos quanto machucava; assim como, também, para reparar os enganos da nossa imprevidência os quais tiveram consequências em outras almas, em outras vidas.

Não somos, tampouco, algozes eternos. Embora já tenhamos errado muito, causado o mal, disseminado problemas e dificuldades, não é por termos cometido erros que deveremos ficar infinitamente à sombra da mácula causada por decisões tomadas de forma espiritualmente imatura, e julgados culpados por todo o sempre.

Como algozes de outrora, como vítimas de nós mesmos no presente, somos apenas espíritos imortais transitando a estrada da evolução que nos tem levado do ser simples e ignorante que já fomos, ao anjo que ainda seremos.

Não existe fatalidade alguma em ser bom ou mau. A alma escolhe o bem ao sentir a repercussão dos seus atos. E para que jamais fiquemos presos na vitimização vazia ou na culpa improdutiva, é que esquecemos de nossas outras encarnações.

Por mais história passada que tenhamos, basta-nos o dia de hoje para decidir diferente, fazer diferente, ser diferente e dar um passo adiante na senda da perfeição.

Experiências difíceis nos ensinam a ser melhores. Ao repararmos os erros e aprendermos a lição, a prova estará concluída e nesse dia, ela vai cessar.

Quem percebe a existência de Deus sabe que Ele é JUSTO e BOM. Por isso sabe também que existe sentido para as mazelas humanas. E muito desse sentido é este... está na lógica das encarnações.


A vida de Chico Xavier